Compartilhando
Eu aprendi a lição, viu. Posso dizer que hoje sou uma pessoa melhor (apesar de que para os olhos dos outros possa parecer uma velha ranzinza). Mas no fundo, sei que estou no caminho certo.
A partir de hoje serei a que recusará todos os convites infames para sair - óbvio que dos meus tolerantes amigos porque ninguém mais me convida mesmo - e argumentarei incansavelmente a causa, motivo, razão ou circuntância de tal veredicto.
Nestes últimos dias em que tenho vivido a vida e também abandonado o blog, vim passando por consecutivas EQM's - Experiência Quase Morte - mas, ao invés de enxergar o túnel branco rodando e vozes me chamando para o além, eu enxerguei uma gente feia do cão e ouvi música ruim. O pior: por vontade própria.
Tudo começou quando comprei um convite de trinta mangos (TRINTA) para ver uma banda de pagode que tocava Led Zeppelin no cavaquinho. Por isso eu peço perdão ajoelhada no milho até hoje. A noite foi muito agradável, no entanto, pelas boas risadas junto às minhas amigas que ainda suportam meu mau humor musical. Mas, somado à peste pagodeira e ao repertório morno da banda (nem vou falar que é o Sambô), tive problemas obviamente com a minha sandália. Ela é daquelas megeras falsas, que no começo é boazinha com você mas depois te tortura com crueldade refinada. Enfim, a melhor parte do show foi quando alguém disse "vamo embora?".
Como se eu precisasse enfiar o dedo na tomada mais de uma vez pra perceber que aquela porra dá choque, logo depois lá estava eu pagando mais vinte mangos para ir a uma festa em outra cidade que me disseram ser "supimpa, irada, sensacional". Por amor à companhia da minha amiga e falta de coisa mais interessante pra fazer fomos, rindo de nós mesmas por situação tão vexatória. Dirigindo na chuva pra pegar uma balada no Clube.
Eu nunca me esqueço do desfiles das Geyses em seus incandescentes vestidos de cotton combinando com a sombra nos olhos. E muito menos esqueço do homem de blaser-ombreiras estilo Didi Mocó que chegou em mim. Ok, era uma festa dos anos 90, mas ninguém me falou que tinha que ir fantasiado. Enquanto chovia lá fora e o povo se aglomerava lá dentro, e a banda tocava Legião Urbana pior do que o próprio original, eu decidia que dali em diante eu seria uma nova pessoa. Na verdade, eu queria mesmo era a minha mãe.
Como se não bastasse, semana passada eu tive um lapso de retrocesso mental e quis ir ao Bronze - quem conhece Ribeirão sabe a tristeza que é esse lugar. Eu queria ouvir alguma coisa mais gentil, só isso, caralho. Depois de jantar com minha amiga querida, tivemos então a brilhante ideía de ir para lá, onde emos, roqueiros e punks e hippies convivem numa boa, contanto que tenha um baseado pra queimar. Estacionando o carro e colocando-me na calçada do bar, sou recepcionada com uma chinelada na cabeça. É. Jogaram uma desgraça de uma havaiana na minha cabeça e um moleque de camisa do Pearl Jam veio me pedir desculpas pela brincadeira imbecil do amigo. "Nossa mano, isso foi muito imbecil meeeeeeeesmo", foi o que eu consegui dizer.
Enfim, com ou sem chinelada, eu minha amiga paramos na entrada, conversamos com um par de gente, e decidimos que nossa vida seria mais feliz se estivéssemos dormindo em casa.
Anteontem, então, resolvi tomar um outro rumo na minha terça-feira à noite e tive uma boa surpresa. Fui ver o stand-up do Marco Luque e do Humor de Salto Alto e me diverti bastante. Cheguei em casa limpa, sem dor na consciência.
Meu nome é Francine e hoje posso dizer que o bom senso me salvou e há cinco dias não frequento balada ruim.
Obrigada.
aplausos.




